
Data e hora da publicação
Minha história sobre a menopausa: quando uma receita de hormônio mudou tudo
Há momentos na vida em que você percebe que não se reconhece mais.
Para mim, esse momento aconteceu durante a menopausa.
Em 2022, aos 47 anos, eu estava passando pela perimenopausa sem nem mesmo saber. Eu usava um DIU Mirena e já não menstruava mais, então não tive o indício menstrual habitual de que algo estava mudando.
Então comecei a me sentir diferente.
Fiquei triste sem motivo aparente. Chorava com frequência. Não conseguia dormir.
No começo, achei que talvez estivesse ficando com depressão.
Eu não fazia ideia de que estava entrando na menopausa.
Eu não sabia que estava na perimenopausa
Na época, eu achava que a menopausa só acontecia depois dos 50.
Eu tinha 47 anos.
Eu estava errado.
Depois de perceber algumas mudanças no meu humor e no meu sono, decidi fazer exames médicos. Um médico analisou meus resultados e me disse que meus níveis hormonais estavam um pouco baixos.
Me receitaram um creme hormonal.
O que não me disseram foi que eu estava passando pela menopausa.
Essa omissão se tornou uma parte importante da minha história.
Quando uma prescrição de hormônio mudou meu corpo
Pela minha experiência, o creme hormonal continha o que me disseram ser doses extremamente altas de hormônios.
Após cerca de 30 dias, eu havia engordado mais de 10 quilos, ou cerca de 22 libras.
Lembro-me de ter pensado que o efeito acabaria por desaparecer e que meu corpo voltaria ao normal.
Não aconteceu.
Aquele foi o início de uma jornada muito mais longa e complicada.
Finalmente descobri que estava passando pela menopausa
Decidi consultar outro médico, dessa vez um ginecologista.
Foi só então que alguém finalmente me explicou que eu estava passando pela menopausa.
O médico também solicitou exames adicionais.
Eu já tinha miomas uterinos que estavam sob controle.
Após o tratamento hormonal, no entanto, notei mudanças significativas no meu quadro clínico. Por fim, fui submetida a uma histerectomia em março de 2023.
Este é o meu histórico médico pessoal, e não uma afirmação de que a terapia hormonal cause o mesmo resultado em todas as mulheres.
Essa distinção é importante.
Os anos em que eu não conseguia encontrar respostas
Mesmo depois da cirurgia, meu corpo continuou ficando cada vez mais inchado.
O médico que realizou minha cirurgia não conseguiu explicar o que estava acontecendo.
Então, comecei a me informar sobre a menopausa por conta própria.
Li artigos médicos. Pesquisei informações. Procurei outras mulheres que estivessem passando por algo semelhante.
Em determinado momento, tive a sensação de que tinha conquistado um segundo diploma em menopausa simplesmente por tentar entender o que estava acontecendo comigo.
Mas não consegui encontrar mulheres que descrevessem uma experiência parecida com a minha.
Comecei a me perguntar se a minha situação era extremamente rara.
Por fim, descobri que estava longe de estar sozinho.
Tentando entender meu corpo
Encontrei um endocrinologista no Brasil que trabalha no Hospital Israelita Albert Einstein.
Mesmo para ele, meu caso era difícil de entender.
Juntos, tentamos diferentes abordagens.
Utilizei medicamentos como o Ozempic e o Wegovy. Também experimentei diferentes formas de terapia hormonal e períodos sem TRH.
Nada parecia explicar por que meu corpo estava reagindo daquela maneira.
Ao mesmo tempo, eu estava me exigindo ao máximo fisicamente.
Eu estava treinando intensamente, praticando CrossFit e tentando criar um enorme déficit calórico, porque queria muito perder peso.
Por fim, sofri uma lesão grave na coluna.
E essa foi mais uma lição.
Conhecer os princípios do exercício físico e da nutrição não significa que você esteja imune ao desespero.
Quando deixei de me reconhecer
Durante 2023 e 2024, minha relação com meu próprio corpo mudou radicalmente.
Parei de sair.
Senti vergonha.
Comecei a ficar com medo de que as pessoas me reconhecessem na rua, porque, às vezes, desconhecidos me perguntavam se eu estava grávida.
Minha autoestima ficou completamente destruída.
Eu chorava o tempo todo.
O problema não era simplesmente que meu corpo tivesse mudado.
Eu estava com dor.
Eu já não me reconhecia mais.
Parei de me olhar no espelho.
Antes de tudo isso acontecer, minha casa estava cheia de espelhos. Eu já tinha trabalhado em campanhas de marcas para redes sociais e me sentia à vontade para ser fotografada.
De repente, eu quis evitar qualquer reflexo.
Mesmo hoje em dia, às vezes ainda tenho dificuldade em olhar para o meu próprio corpo.
Em busca de mais respostas médicas
Até o final de 2024, eu já havia consultado diversos especialistas.
Nefrologista.
Reumatologista.
Cardiologista.
Angiologista.
E outros.
Mesmo assim, ninguém conseguia explicar completamente o que estava acontecendo.
Os resultados dos meus exames costumavam parecer bons no papel, mas não pareciam corresponder à pessoa que estava diante do médico.
Naquela época, eu estava mais de 25 quilos — ou mais de 55 libras — acima do peso que eu queria ter.
E eu ainda não tinha uma resposta.
O que aconteceu em 2025
Então, surgiu outro problema de saúde.
Desenvolvi diverticulite, uma inflamação e infecção no intestino que se agravou a ponto de exigir uma semana na UTI.
Durante essa internação, fiquei sob supervisão médica constante.
Meu intestino precisava descansar e se recuperar, e recebi nutrição por via intravenosa.
É importante esclarecer isso porque se tratou de uma decisão médica tomada em um ambiente hospitalar. Não foi simplesmente uma decisão de parar de comer e beber água.
Depois que voltei para casa, aconteceu algo inesperado.
Meu corpo começou a voltar ao seu estado anterior.
Em menos de 20 dias, eu havia perdido aproximadamente 20 quilos, ou 45 libras, conforme contei no vídeo.
A mudança foi dramática.
E eu ainda não tinha uma explicação clara para o motivo pelo qual meu corpo havia reagido daquela maneira.
As fotos que eu tinha medo de tirar
Não tirei muitas fotos durante esse período.
A maioria das fotos que eu tinha foi tirada para fins médicos.
Uma fotografia foi tirada em 31 de dezembro de 2024.
Naquela época, eu tentava posar de um jeito que escondesse o quanto eu tinha engordado.
Aproximadamente 30 dias depois, ao voltar do hospital para casa, outra fotografia mostrava um corpo drasticamente diferente.
Essas imagens passaram a fazer parte da história que, por fim, decidi compartilhar.
Não porque eu acredite que as fotografias possam explicar uma condição médica.
Eles não conseguem.
Mas porque elas mostram como meu corpo mudou radicalmente e por que me senti compelida a continuar buscando respostas.
Eu achava que era a única mulher passando por isso
Depois de tudo o que aconteceu, decidi compartilhar minha história na internet.
Até então, eu achava que era a única mulher a passar por algo assim.
Então, centenas de mulheres começaram a entrar em contato comigo.
Eles me contaram suas histórias.
Algumas relataram dificuldades semelhantes com seus corpos. Outras me contaram sobre efeitos colaterais graves ou experiências com prescrições de hormônios que as deixaram confusas e em busca de respostas.
Foi nesse momento que percebi que minha história era maior do que eu.
A desinformação sobre a menopausa é um problema global
As mulheres que entraram em contato comigo não eram apenas do Brasil.
Mulheres em todo o mundo enfrentavam problemas relacionados à desinformação, à falta de apoio e à dificuldade de encontrar respostas confiáveis sobre a menopausa.
Essa constatação mudou o rumo do meu trabalho.
Decidi transformar minhas redes sociais e meu canal no YouTube em um espaço onde pudéssemos falar abertamente sobre a menopausa.
Criei um podcast para trazer médicos, especialistas e mulheres reais para a conversa.
Porque a menopausa não é uma moda para mim.
Não falo sobre a menopausa porque é um assunto em voga.
Falo sobre isso porque passei por isso.
Não sou contra a terapia de reposição hormonal
Há um ponto que gostaria de deixar especialmente claro.
Não sou contra a terapia de reposição hormonal.
Sou contra a desinformação.
Sou contra que as mulheres recebam tratamento hormonal sem compreender o que estão tomando, por que estão tomando e qual é o objetivo do tratamento.
A terapia hormonal é uma decisão médica pessoal que deve ser discutida com um profissional de saúde devidamente qualificado.
Minha história não é um argumento contra a terapia de reposição hormonal.
É um argumento a favor de uma melhor informação, de uma melhor comunicação e de um acompanhamento mais cuidadoso da menopausa.
A informação dá poder às mulheres
Minha mensagem para as mulheres que estão passando pela perimenopausa ou menopausa é simples:
Aprenda.
Faça perguntas.
Entenda o seu tratamento.
Entenda o que é a TRH.
Entenda por que um tratamento foi recomendado para você.
Em seguida, converse sobre suas opções com seu profissional de saúde.
A decisão de recorrer ou não à terapia hormonal deve ser tomada com base na sua situação individual e em uma conversa médica bem informada.
Gostaria de ter sabido mais em 2022.
Talvez minha história tivesse sido diferente.
Mas também acredito que as experiências podem abrir novos caminhos.
Por que criei “Menopausa: Prazer em conhecê-la”
Hoje, essa história é um dos motivos pelos quais estou criando Menopausa: Prazer em conhecê-la.
O podcast e esta plataforma existem porque a menopausa merece uma discussão mais ampla.
Falamos sobre hormônios e saúde.
Mas também falamos sobre relacionamentos, cultura, moda, estilo de vida e tudo o mais que compõe a vida de uma mulher com mais de 40 anos.
Porque a menopausa não define toda a mulher.
É uma parte da vida dela.
E ela merece informações que a ajudem a lidar com isso.
O Multiverso das Mulheres com Mais de 40 Anos
Este é o Multiverso das Mulheres com Mais de 40 Anos.
Um espaço onde as mulheres podem encontrar conversas, informações e diferentes perspectivas sobre a perimenopausa e a menopausa.
Minha experiência me ensinou que a informação é importante.
Às vezes, isso pode influenciar as decisões que tomamos.
Às vezes, isso pode nos ajudar a formular uma pergunta melhor.
E, às vezes, o simples fato de saber que outra mulher já passou por algo difícil pode fazer você se sentir menos sozinha.
Minha história ainda está se desenrolando
Até hoje, não tenho todas as respostas sobre o que aconteceu com meu corpo.
Ainda estou procurando.
Ainda estou aprendendo.
E eu ainda estou fazendo perguntas.
Mas não acredito mais que o silêncio seja a resposta.
Se compartilhar minha história ajudar outra mulher a fazer ao médico uma pergunta que ela não tinha pensado em fazer, ou incentivar alguém a se informar melhor antes de iniciar um tratamento, então vale a pena contá-la.
Esta é a minha história.
E essa é apenas uma das histórias dentro de um debate muito mais amplo sobre a menopausa.
Assista à matéria completa
Veja Izadora Guimarães compartilhar sua trajetória pessoal na menopausa, desde a descoberta da perimenopausa até a experiência com o tratamento hormonal, as mudanças drásticas no corpo, a histerectomia, os anos de busca por respostas e a experiência que, por fim, a levou a criar uma plataforma dedicada a mulheres com mais de 40 anos.
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Menopausa: Prazer em conhecê-la reúne conversas sobre menopausa, saúde feminina, hormônios, longevidade, relacionamentos, cultura, moda e as diversas facetas da vida após os 40 anos.
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